No oculto mar profundo
Havia um peixe solitário
Tinha o espírito moribundo
E no amor, um adversário
.
Quando alguém se apaixonava
pensava “pobre coitado”,
o amor pra quem amava
tornava o ser amargurado
.
era como fome desvairada
que nunca sacia nem cala
volvia a grandeza do mar num aquário
e a vida sem preceituário.
.
Num dia especial de virtude
O peixe conheceu uma baleia
Embasbacado com tamanha angelitude,
Ele teve uma grande ideia
.
Pediu-a em casamento,
Tolo peixe apaixonado
não passava de seu alimento
mais um amante abobado
.
Convidou a baleia para jantar
E na primeira oportunidade foi abocanhado
Não teve tempo nem de falar
Sobre seu amor inadequado
.
Em todo o oceano
Só se falava na morte do peixe
A notícia do ano
Era que ele havia entrado para o feixe
.
Das pessoas que por amor morrem
Dançam na rua fazem greve de fome
Que das tragédias se aprazem
E tem na loucura o sobrenome
.
No enterro do desgraçado
Até a baleia apareceu
Que com estômago alimentado
Chorava pelo amado que faleceu
.
Amaldiçoando a cadeia alimentar
Lá se foi a baleia sozinha
Levada infeliz pela correnteza do mar
Difamou o amor e tudo o que ele detinha
.
Na imensidão do mar
Morreu de fome e de sede,
Resolveu ao peixe se juntar
E ter o corpo junto ao dele.
.
No fundo do mar reside a lápide que diz: “Túmulo resguardado por Netuno e embalado por Apolo. Dorme aqui Eros”.
06/05/2013

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