domingo, 29 de maio de 2016

Ê painho...

Ê painho,

que desse nó eu não guardo nenhum fio
Desatou junto com o cigarro que acabou
da minha represa eu fiz um rio
e o teu sorriso ele afogou

Ê painho,

A solidão sempre foi o meu caminho,
acompanhada pelos meus desatinos
Mas dos teus passos eu sinto dó
pois não sabem o que é ser só

Ê painho,

das tuas botas e boné 
eu mal recordo
junto com os "xêros" e cafunés
que eu não mais imploro

Ê painho,

Da miséria do amor
morreu o poeta e trovador
Deixe de mendigar por ai
um amor que nunca vai existir

Aprenda: É melhor morrer de fome
               que matar a mulher que come

Ê painho,

eu te perdoo porque seu problema é covardia
de quem sempre foi lago, barragem e apatia
e se assusta com os relâmpagos da tempestade
de quem é chuva e liberdade.

ê painho....




segunda-feira, 9 de maio de 2016

magritte 
 
Te traguei até o filtro

A espinha dorsal do tempo
Se sustentou na intensidade de instantes
Do teu gosto eu guardo o lento
Dos teus movimentos, o nós amantes

Te traguei até o filtro

Nos preservei na estante
Com clarice e Saramago
Seus toques, pelos e semblante
Com teu timbre e ritmo canonizado

Te traguei até o filtro

Na nicotina dos teus beijos,
No teu toque, tua carne
Me desnudei toda em desejo
E maldice a liberdade

Te traguei até o filtro

Fiz tempestade de mim no teu vendaval
Soberana de si, ser todas elas é o meu caos
Do cigarro que sobrou, o vento fez questão de apressar
A combustão do que restou e nem implorou para tardar

Te traguei além do filtro.