Sou eu quem vai. Sempre. Sou eu quem deixo.
Dessa vez foi ele.
São Paulo cabe nele. Juão -como haveria de se chamar a outra face de mim, minha vida é repleta deles... dos "joão´s". Ele é a moldura dessa cidade colorida de tão cinza. Me pergunto se está frio, chovendo ou se faz esse sol escaldante potiguar de todo dia. Me pergunto se ele está fazendo caras e bocas para as outras pessoas e se elas percebem isso, se há alguém implicando com ele só para tirar ele do sério, se tem algum amigo falando besteiras, se alguém oferece carona ou cigarro.
Lembro de quando ele chegou na sala ofegante do atraso e de quando eu cheguei na casa dele cabisbaixa para contar sobre a experiência que mudaria a minha vida.
Perdi um filho mas ganhei outro. Gestei um amor de forma calma e concisa. De forma que esse ser que se transborda em muitos e se traveste em tantos é na verdade aquele um só, que anda jogando a perna com o pé torto, que só consegue respirar no caos e não sabe o que é viver fora das subidas e descidas da montanha russa.
Ele não pede conforto para a miséria da alma, carrega a variável inconstante impossível de ser canalizada, não mata o leão: convive com ele só para pôr em prática a completa falta de controle em adestrar a vida. É o precipício que atrai, se joga para ter certeza que não tem asa, mesmo sabendo que o que ele quer é raíz.
Não sei em que ponto eu parei de falar dele e comecei a falar de mim.
Numa simbiose desfigurada, ele era tudo o que faltava em mim - de forma invertida.
Meu amor por ele é uterino. Ele alçou vôo para ser tudo o que pode, e eu olho daqui de baixo com sorriso de canto de boca e um tanto de orgulho. Com os olhos marejados d`água, olho a janela da sala, respiro fundo e penso "- esse é o meu menino!"
