segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ela é doida de jogar pedra!


A frase que eu mais escuto na vida é: "você é doida menina!"
Diferente também. Mas o adjetivo maluca aparece mais no meu vocabulário de vida.
Eu me acho doida. Eu sou doida. Não fui diagnosticada porque eu nunca fui ao médico e interrompo toda terapia que começo.
É coragem demais para ser doida. Medo demais para se entender.

O passado crepita o tempo todo, é como um relógio fazendo o tic tac num silêncio atordoante esperando para a dar a hora do alarme gritar.
 Tic Tac, Tic Tac....
Incêndio. Ele bate à porta, pedindo licença para entrar. É um prelúdio da astenia da alma: não é a hora ainda. Ficas aí passado, guardado na espinha dorsal do tempo, enquanto eu recomponho minha capa de super-herói e você se confina no tempo verbal que te pertence, este que fica para trás.
 Tic Tac Tic Tac

Malgrado as palavras acutiladas na garganta, não é tempo de soltar o verbo que é vivo e muda com os dias. Meu útero não consegue carregar o indulto ainda, mas o feminino tem disso, esse dom de criar epifanias, e a redenção virá do nascimento do perdão e o passado como concreto. Enterrado com os sapatinhos de lã amarela.

Tic Tac Tic Tac
Eu sou louca porque minha vida é insana. Vogo pelo chafurdo da realidade inconstante, me imolo por tudo que me amarfanha, ataranto o equilíbrio dos verbos temporais só pelo prazer de mudar o número dos sujeitos. Prejudico o predicado na insistência ardil de economizar as palavras e aumentar o significado das pessoas. Tú, Eu... ELE. Pra quê predicado? Basta saber o pronome relativo.

Ser doida não é fácil, é o motivo pelo qual você cria amigos, é também o motivo do rastro de pessoas que te odeiam. Você se habitua a respirar fora d`água. Mas o zénite de ser maluca é ter a existência mais que justificada: ela é necessária.

E o passado? Ele vai tomar um café e fumar um cigarro em qualquer buteco da Voluntários da Pátria  em qualquer momento do futuro. Mas o presente, este que corre no relógio e engravida o útero, requer tempo para partejar. Vai ficar para uma próxima viagem que não seja fuga.

Não é por mágoa e nem por mal, é pelo nada. Não entendeu? Tudo bem, é que sou doida de atirar pedra!

Tic Tac Tic Tic Tic Ti T...


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